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Um momento de história
Por José Nilton Dalcim
25 de julho de 2017 às 19:04


A página do TenisBrasil no Facebook soltou hoje cedo este vídeo histórico que mostra as finais de WImbledon de 1964. Além de ser um retrato interessante de como se vestia e torcia há mais de 50 anos, o que vale mesmo para nós são imagens raras de Maria Esther Bueno em ação.

O sucesso foi tão grande lá no Facebook que achei justo reproduzir o vídeo aqui e contar alguns detalhes sobre o que envolvia esse duelo das ‘rainhas da grama’.

Aquele ano marcou nada menos que o tricampeonato de Estherzinha em Wimbledon. Campeã em 1959 e 60, problemas físicos prejudicaram sua campanha nas temporadas seguintes – sequer jogou em 61 mas foi à semi em 62 – e portanto era uma chance espetacular de chegar à coroação absoluta em Wimbledon.

Observem quem era sua adversária: a australiana Margaret Smith (depois Court), então com 22 anos, que se tornaria ao final da carreira a maior colecionadora de troféus de Grand Slam de todos os tempos, entre homens e mulheres.

Apesar de seus 1,75m, fica evidente o porte físico avantajado da australiana perante a paulistana, três anos mais velha e cinco centímetros mais baixa.

Não pensem no entanto que Smith tinha currículo pequeno. Quando chegou a esta final, ela já era pentacampeã na Austrália, tinha dois troféus em Roland Garros, havia conquistado uma vez o título nos EUA e era a atual detentora do troféu em Wimbledon.

O jogo também era uma verdadeira revanche da final dos EUA de 1963, quando Estherzinha havia barrado o bi da australiana em Nova York. Importante lembrar que a grama também era o piso nos EUA e na Austrália naquela época.

As cenas do vídeo acima servem ainda para apreciarmos um pouco do estilo clássico, leve mas ao mesmo tempo agressivo de Maria Esther, que nasceu no saibro mas credita sua desenvoltura na rede aos treinos incansáveis com o irmão Pedro desde a infância.

O placar foi duro: 6/4, 7/9 e 6/3 para Maria Esther, que reencontraria Smith na final de Wimbledon de 1965, desta vez perdendo por 4/6 e 5/7, e ainda teria mais uma chance de chegar ao tetra em 1966, superada então por Billie Jean King também em três sets. Billie Jean tinha um estilo muito parecido com a da brasileira, cheio de toques requintados e pernas ágeis pela quadra.

Este no entanto não foi o último troféu de Grand Slam da brasileira. Meses depois, ela faturaria seu terceiro título nos EUA e ainda chegaria ao tetra em 1966. Infelizmente, o cotovelo impediu que Maria Esther tivesse uma carreira mais longa. Após conquistar as duplas do US Open de 1968, seu único Slam realmente profissional, precisou parar. Chegou a fazer nove cirurgias e recorreu até à mítica metodologia indiana, sem sucesso. Tentou retorno em 1974 e 76, mas viu que seria impossível recuperar a velha forma e se aposentou em 1977.

Margaret Smith foi bem mais longe e chegou muito bem à Era Profissional, faturando quatro Australian Open, três Roland Garros, um Wimbledon e três US Open na fase moderna do tênis. Seu último jogo de Grand Slam, já mãe de dois filhos, foi curiosamente contra Martina Navratilova, em 1975. Persistiu nas quadras, teve um terceiro filho e também se aposentou em 1977, grávida mais uma vez.

Qual o limite de Federer?
Por José Nilton Dalcim
16 de julho de 2017 às 19:50

Há cinco anos, quando conseguiu reconquistar Wimbledon num grande esforço, parecia que o 17º Grand Slam era um número definitivo para Roger Federer. Afinal, ele já se aproximava dos 31 anos e veria Rafael Nadal recuperar sua melhor forma na temporada seguinte e depois lutaria contra o auge do domínio de Novak Djokovic, sem falar no crescimento de Andy Murray e nas beliscadas de Stan Wawrinka e Juan Martin del Potro.

Ele entendeu então que teria de mudar. Começou pela raquete, que hoje se prova um fator essencial, e passou por treinadores improváveis, como Stefan Edberg e Ivan Ljubicic. Reinventou-se, fez grandes exibições, mas nem assim conseguiu um novo Slam. O destino no entanto não o esqueceu. Foi preciso um problema médico com seu joelho para que ele tivesse de se afastar seis meses do circuito, período em que cuidou do físico, se adaptou perfeitamente à raquete e recuperou a alegria e leveza de jogar.

O Federer versão 2017 é certamente o melhor de todos que já vimos. Além do repertório ainda mais vasto, virou um jogador aplicado na parte tática, estável no plano emocional. Junte-se a isso seu estilo agressivo e um físico privilegiado para se ter um tenista difícil de ser batido até mesmo nas condições mais lentas do circuito de hoje. Roger nunca devolveu tão bem, usou tantas paralelas dos dois lados, encheu a bola de tanto topspin ou foi tão pragmático para construir pontos e se defender.

A pergunta obrigatória é: qual o limite de Federer? Estilo econômico, tênis moderno, pernas ágeis, nada o impede de jogar mais uma ou duas temporadas. Arriscaria a dizer que 2020 está totalmente a seu alcance. E se o fizer, sempre será candidato a ganhar mais títulos, mais Slam, principalmente quando pisar na grama ou numa quadra veloz. Dono de recordes e marcas de difícil superação até a longo prazo, a história permanecerá a seu alcance quase toda semana.

A final deste domingo teve pouca emoção, que pena. Cilic desperdiçou um break point no começo do jogo e de repente sumiu de quadra. Chorou no intervalo para o segundo set, pediu atendimento antes do terceiro e só então voltou a apresentar um tênis decente, porém muito distante do que vinha fazendo no torneio. Afirmou que a bolha no pé gerava tanta dor que não conseguia se concentrar, daí ser estranho ele ter demorado dois sets para cuidar do problema. Assim, Federer não precisou fazer nada de espetacular, exceto jogar seu tênis eficiente e ofensivo.

Pela primeira vez desde 2009, Federer ganha dois Slam na mesma temporada e a expectativa agora é por uma luta direta entre ele e Nadal pela liderança do ranking, algo que não acontece desde 2010. O que deve esquentar o US Open e talvez transformá-lo em outro Grand Slam mágico desta notável temporada.

Que sortudos somos todos nós.

A façanha de Melo
Num país em que quadra de grama é algo tão raro como político honesto, Marcelo Melo tem de ser muito enaltecido pela espetacular campanha em Wimbledon ao lado do polonês Lukasz Kubot. Os dois conseguiram chegar ao ápice do entrosamento, dividindo responsabilidades, grandes lances, resistência física e emocional para superar tantos duelos longos e tensos na campanha.

Duas coisas me deixam especialmente satisfeito. Ouvi críticas e senti um certo menosprezo quando ele chegou pela primeira vez à liderança do ranking, 18 meses atrás, como se não merecesse tudo aquilo. Girafa agora cala de vez as vozes dissonantes. Nada mais incrível e indiscutível do que chegar ao topo com um troféu desse quilate.

É honroso termos dois duplistas de sucesso num circuito tão competitivo. Melo e Bruno Soares nos deram quatro diferentes conquistas de Grand Slam na dupla masculina e quebram séries que pareciam perdidas no tempo. Melo interrompeu 51 anos de jejum em Wimbledon, assim como Bruno havia sido o primeiro a faturar três Slam numa mesma temporada desde Maria Esther.

Segundo profissional brasileiro com maior faturamento na história, já acima dos US$ 5,2 milhões, Melo prova que jogar dupla é também um ótimo e respeitoso caminho a se seguir.

Muguruza confirma
Ninguém ganha um título do tamanho de Wimbledon por acaso, mas é necessário dizer que Garbiñe Muguruza mereceu muito esta conquista. Desde a primeira partida, mostrou um estilo agressivo, aprimorou os voleios, jogou com coragem. Quando derrotou a número 1 Angelique Kerber indo 52 vezes à rede, ficou claro que estava pronta.

Muguruza representou aquela antiga qualidade, hoje um tanto perdida, de modificar técnica e tática ao mudar do saibro para a grama. Lição certamente aprendida dois anos atrás, então uma surpreendente finalista diante de Serena Williams. Tomara que novo aprendizado surja agora e evite o deslumbramento que viveu ao conquistar Roland Garros e perder totalmente o foco.

A final contra Venus só teve emoção no primeiro set. Depois que salvou dois set-points, Muguruza cresceu na confiança e Venus baixou intensidade, cometendo muitos erros. Curioso ver que uma espanhola volta a ganhar na grama justamente ao superar adversária de 37 anos, repetindo Conchita Martinez frente a Martina Navratilova. Coisas do tênis. Venus, sempre simpática, garantiu que vai tentar de novo.

Federer ou Cilic? Dê seu palpite.
Por José Nilton Dalcim
15 de julho de 2017 às 10:48

spinFinal  de Wimbledon e mais um momento histórico no tênis nesta incrível temporada 2017. O ‘rei da grama’ Roger Federer tenta um incrível 8º troféu em Wimbledon e o único que pode impedir isso é Marin Cilic, que busca seu segundo Grand Slam.

Momento para o Desafio Wimbledon, valendo um tubo com três unidades da nova bola Spin.para os três mais que se aproximarem do resultado correto.

Indique vencedor, placar e duração da partida, conforme modelo abaixo.

Claro que vale primeiro o vencedor; entre os que acertarem, o placar que mais bem explicar o andamento do jogo; em caso de novo empate, a duração do jogo. Por fim, persistindo a igualdade, leva quem postou primeiro.

Caso queiram (e devam) fazer comentários sobre as semifinais ou a decisão, escrevam e opinem exclusivamente no post abaixo. Deixem aqui somente os palpites numéricos. Fica mais organizado.

A votação se encerra quando for dado o primeiro saque às 10 horas deste domingo. E, é claro, se ganhar alguém de fora do Brasil, terá de indicar um endereço no país para receber o prêmio.

Importante: são permitidos palpites na área pública do Facebook oficial do site TenisBrasil, mas não valem palpites por email. O divertido aqui é justamente todo mundo poder conferir a aposta dos demais.

Se possível, seguir o modelo abaixo, o que facilita muito na hora da apuração:

Federer vence Cilic, 3 sets a 1, parciais de 7/5, 6/4, 5/7 e 6/4, após 2h45

Boa sorte!