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Big 4 é favorito. Com cautela.
Por José Nilton Dalcim
9 de julho de 2017 às 20:44

Após o tradicional descanso de domingo, Wimbledon realiza suas oitavas de final nesta segunda-feira – se a chuva deixar – com dois grandes favoritos entre os Big 4: Andy Murray e Novak Djokovic dificilmente perderão sets para Benoit Paire e Adrian Mannarino em condições normais. Nenhum dos franceses têm consistência suficiente para grande ameaça.

Os outros dois podem ter mais trabalho e com certeza, cuidado: Roger Federer pega o amigo e ‘freguês’ Grigor Dimitrov, um autêntico jogador de grama mas que não tem regularidade, e Rafa Nadal faz duelo de canhotos contra Gilles Muller, que já o venceu em Wimbledon, embora há mais de uma década. A chance do luxemburguês consiste num índice alto de primeiro saque.

Milos Raonic e Alexander Zverev promete ser o melhor duelo das oitavas, com expectativa de festival de winners. Marin Cilic tem favoritismo natural sobre Roberto Bautista e Tomas Berdych, mais experiência na grama que Dominiic Thiem, mas o austríaco possui chance real. Sam Querrey e Kevin Anderson é bem imprevisível, já que ambos fazem um pouco de tudo depois do saque.

As oitavas de final masculinas têm:
– Quatro campeões de Wimbledon (Federer, Djokovic, Murray e Nadal)
– Dois finalistas de Wimbledon (Raonic e Berdych)
– Um semifinalista de Wimbledon (Dimitrov)
– Um outro campeão de Grand Slam (Cilic)
– Um outro semifinalista de Slam (Thiem)
– Onze jogadores com título na grama (além do Big 4, Cilic, Thiem, Berdych, Dimitrov, Muller, Bautista e Querrey)
– Um tenista abaixo dos 21 anos (Zverev)
– Sete tenistas com 30 anos ou mais
– Três não cabeças de chave (Anderson, Paire e Mannarino)
– Sete dos oito principais cabeças (exceção é Wawrinka)
– Três canhotos (Nadal, Muller e Mannarino)

Três jogaços no feminino
A batalha direta entre as duas mais recentes finalistas de Wimbledon é um dos pontos altos das oitavas de final femininas: Angelique Kerber encara também o placar negativo de 4 derrotas em 7 duelos diante da espanhola Garbine Muguruza.

Outro duelo de primeira linha envolve a número 2 do ranking Simona Halep e Victoria Azarenka, dona de dois troféus de Grand Slam. Ambas já foram semifinalistas em Wimbledon, mas vivem momentos distintos. A romena sonha com primeiro Slam e o número 1, a bielorrussa retorna ao circuito após se tornar mãe.

Muito boa perspectiva também para a raçuda Johanna Konta e a versátil Caroline Garcia, com retrospecto de 2 a 2. A rodada tem ainda três duelos inéditos (Ostapenko-Svitolina, Venus-Konjuh e Rybarikova-Martic), Carol Wozniacki frente à sacadora CoCo Vandeweghe e o 18º encontro entre Aga Radwanska e Sveta Kuznetsova.

As oitavas de final femininas têm:
– Uma campeã de Wimbledon (Venus)
– Três finalistas de Wimbledon (Kerber, Muguruza e Radwanska)
– Cinco outras campeãs de Slam (Kerber, Muguruza, Azarenka, Ostapenko, Kuznetsova)
– Três outras finalistas de Slam (Halep, Radwanska e Wozniacki)
– Duas tenistas abaixo dos 21 anos (Ostapenko e Konjuh)
– Sete das atuais top 10
– Dez das 16 principais cabeças
– Duas jogadoras com ranking protegido (Azarenka e Martic)
– Uma qualificada (Martic)

Meus palpites
Quartas masculinas terão Murray-Querrey, Nadal-Cilic, Federer-Zverev e Djokovic-Thiem.
Quartas femininas terão Muguruza-Kuznetsova, Vandeweghe-Rybarikova, Venus-Ostapenko e Halep-Konta.

Sofrimento de Murray continua
Por José Nilton Dalcim
7 de julho de 2017 às 19:51

Andy Murray levou o primeiro grande susto e quase se enrolou diante de Fabio Fognini, num duelo em que ambos mostraram intensos altos e baixos. Acendeu o sinal de alerta para o escocês, mas está evidente que ele não apenas sofre com a insegurança do quadril como também de seus nervos. Chega às oitavas e, a partir de agora, não há mais margem de segurança: se ele cair e Rafael Nadal vencer, adeus número 1.

Há um ar de sofrimento em Murray. Mesmo se esforçando para fazer a coisa certa, vive momentos de queda absurda de qualidade técnica, como no final do segundo set e num apagão total na metade do quarto. Não fosse Fognini tão destemperado, a partida teria ido longe e ficado bem perigosa. Por sorte, seu adversário agora é Benoit Paire, avoado francês de jogo bonito e forehand frágil. É bem provável que ao menos Andy belisque as quartas.

Para seu desespero, Nadal está voando em Wimbledon. Entrou em quadra decidido a atropelar o pouco experiente Karen Khachanov e foi para o ‘abafa’, winner atrás de winner. O russo se libertou tarde e ainda teve tempo de fazer um terceiro set competitivo, com direito a set-point. Reencontrará agora o também canhoto Gilles Muller, que surgiu para o tênis justamente ao bater Rafa em Wimbledon de 2005. Faz tempo. O luxemburguês, 34 anos e top 30, vive hoje a melhor fase. Boa chance de um jogo bem disputado.

Correndo por fora – e certamente lamentando estar do lado da chave de Rafa e não de Murray -, Marin Cilic levou outra sem perder sets. Encara Roberto Bautista, que tenta enfim passar das oitavas de um Slam pela primeira vez na carreira, depois de ter superado um errático Kei Nishikori. Lá em cima, Kevin Anderson dá outro passo para recuperar ranking e confiança e aguarda Sam Querrey ou Jo-Wilfried Tsonga, que faziam o melhor jogo do dia quando acabou a luz no quinto set.

A chave feminina tem quatro jogos muito interessantes já garantidos nas oitavas: Simona Halep contra Vika Azarenka, Jo Konta diante de Caroline Garcia, Jelena Ostapenko frente Elina Svitolina e Venus Williams encarando Ana Konjuh. A parte boa disso tudo é que são todas tenistas que partem para a bola.

A croata Konjuh jogou seu melhor para tirar Dominika Cibulkova, Svitolina dominou os golpes retos de Witthoeft, Konta jogou tranquila diante de Sakkari e Azarenka virou com garra diante do público e de Watson. Se passar por Halep, Vika vai ficar gigante.

Mais reclamação
Além da excessiva lentidão das quadras, há muito tenista insatisfeito com a condição do piso. O que aliás é visível: imensos trechos sem qualquer sombra de grama em diversas quadras. Lá dentro da ação, no entanto, a coisa parece pior.

Kiki Mladenovic afirmou que quase não existe mais grama na 18, um dos estádios importantes, e Timea Bacsinszky declarou estar decepcionada com as condições. E olha que mal se concluiu a terceira rodada.

O All England Club se defende, dizendo que a preparação do terreno foi idêntica a todos os anos, com a mesma qualidade de grama usada (100% centeio). O que talvez os organizadores não estejam levando em conta é que o tênis está sendo disputado em excesso no fundo de quadra e, com a lentidão das condições, isso se maximizou neste ano.

Em tempo: não há remendo possível na grama no meio do campeonato. O processo de plantio e moldagem dura meses e exige até mesmo luzes artificiais para imitar a radiação solar durante o inverno inglês.

Números
6 – Marca recorde de maior número de ‘trintões’ nas oitavas masculinas de Wimbledon, que aconteceu por três vezes, em 1969, 70 e 75. Está bem perto de cair.
13 – Erros não forçados foram cometidos por Cilic nos 33 games diante de Johnson
37 – Idade da mais velha campeã de Wimbledon até hoje (Charlotte Sterry, em 1908), que é a mesma idade de Venus Williams.
41 – Quantidade de winners que Nadal fez nos três sets diante de Khachanov, sendo 11 de forehand e 4 de backhand da base, 3 de drop-shot e 6 voleios.
84 – São as vitórias de Venus em Wimbledon, apenas duas atrás da irmã Serena, terceira melhor marca da Era Aberta
316 – Número de vitórias de Grand Slam que Federer e Serena têm hoje. Suíço pode quebrar a marca na próxima partida.

Sábado
– Amigos de longa data, Djokovic tem 6-1 sobre Gulbis, a única derrota tendo acontecido em 2009.
– Federer faz terceiro duelo do ano contra Misha Zverev e o quinto da carreira (4-0). Alemão não vencia um jogo no torneio desde 2009.
– Os irmãos Zverev tentam repetir a façanha de Emilio e Javier Sanchez, que foram às oitavas do US Open de 1991.
– Raonic deixará top 10 se cair diante de Ramos. O placar é de 1-1.
– Ofner tenta surpreender Alexander Zverev e se tornar primeiro tenista em 21 anos a atingir as oitavas do torneio logo em sua primeira participação.
– Thiem-Donaldson é o duelo da nova geração. Americano de 20 anos joga primeiro Wimbledon.
– Berdych-Ferrer são os veteranos. Fizeram 15 duelos (8-7 para Ferrer) e nenhum na grama.
– Jogadoras agressivas, Riske e Vandeweghe devem fazer duelo mais equilibrado do sábado: 4-4 nos duelos. Kerber e Muguruza são favoritas, Bacsinszky ganhou os dois jogos que fez contra Radwanska.

Dia australiano
Por José Nilton Dalcim
20 de junho de 2017 às 19:29

A Austrália já foi uma potência no tênis, ainda mais quando se fala em quadras de grama. Esse passado tão rico de troféus pôde ser relembrado nesta terça-feira com dois feitos da nova geração. Jordan Thompson, 23 anos, e Tanasi Kokkinakis, de 21, eliminaram justamente os dois finalistas do Queen’s Club do ano passado.

Thompson talvez seja até mais surpreendente, ainda que seja um jogador em evolução. Está longe de ser um gigante das quadras, com 1,83m, e apesar do saque afiado é um jogador que gosta mais de trabalhar no fundo de quadra. E foi justamente ali que ele derrotou o pentacampeão Andy Murray. Firme nas trocas, muito veloz para defender, inteligente para contraatacar.

Kokkinakis é 13 centímetros mais alto e sempre se mostrou um tremendo sacador, ainda que se mexa mal no fundo e seja inconsistente. Não obteve um único break-point, mas ganhou os dois tiebreaks disputados contra Milos Raonic, sua primeira vitória sobre um top 10. Todo mundo sabe que o garoto passou maus bocados depois da cirurgia no ombro no final de 2015 que o tirou do circuito praticamente por 19 meses, somando-se ainda a dois estiramentos musculares sérios, o mais recente no abdômen.

Se para Raonic a temporada é de altos e baixos, mas com algumas campanhas dignas, para Murray a derrota inesperada é uma ducha gelada, justamente quando ele vinha de um Roland Garros decente e animador. Esperava-se que a volta à grama lhe trouxesse de volta a confiança, porém o que vimos foi novamente um escocês cheio de dúvidas, preso no fundo de quadra vitimado por um forehand pouco produtivo.

Murray será o cabeça 1 em Wimbledon e terá de fazer uma campanha idêntica a Rafael Nadal para não perder a liderança, já que os dois começarão o Grand Slam separados por míseros 105 pontos, ao retirarmos os 2 mil que o escocês tem de defender. A perda da liderança parece cada vez mais uma questão de tempo. Até aqui, Murray somou menos da metade dos pontos de Roger Federer (1.930 a 4.090) e 29% do que Rafa acumulou desde janeiro (6.915).

E por falar em Federer, uma vitória rotineira na estreia de Halle. Sacou bem, se mostrou firme na base e dominou como quis o japonês Yuichi Sugita, que não tem cacoete para a grama. Agora, vem um teste dos bons: o canhoto e voleador Mischa Zverev, que acaba de entrar para o top 30. A vitória tem importância dobrada, já que poderá dar ao suíço a condição de cabeça 4 em Wimbledon, derrubando Stan Wawrinka, segundo projeções do ‘ranking da grama’.

Stan, aliás, teve a dificuldade imaginada contra Feliciano López. Não jogou de todo mal, mas ficou claro que depende demais do primeiro saque na grama. A devolução não funcionou jamais e foram poucas as tentativas de fazer voleios improvisados. Não sei se Paul Annacone conseguirá corrigir isso em duas semanas. Não entendi o motivo de ele usar tão pouco o slice, um golpe valioso nesse piso.

Nos torneios femininos, vimos a queda de Bia Haddad para uma esperta Shelby Rogers. A brasileira fez um bom primeiro set, muito firme no saque e bem agressiva, e deu um mínimo vacilo no tiebreak. A americana tem predicados na grama, com serviço e golpes com pouco efeito e muito bem colocados. Boa experiência para Wimbledon. E que o sorteio nos ajude.

Já o retorno de Vika Azarenka vinha bem no primeiro set, mas esbarrou em alguns erros e agora ela está à beira da derrota diante de Risa Osaki, que vai sacar para fechar o placar nesta quarta-feira. Claro que a grama nunca é o piso ideal para um retorno, ainda mais tão longo, pela dificuldade em se achar o ritmo ideal. Vika precisa de paciência.