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Muller vence com 50% de winners
Por José Nilton Dalcim
10 de julho de 2017 às 20:34

O épico e histórico triunfo de Gilles Muller nesta segunda-feira no duelo de canhotos diante de Rafael Nadal, tira teima em Wimbledon que viu cada partida ser disputada a cada seis anos, tem números superlativos.

Foram quase 400 pontos disputados, que obrigaram cada tenista a correr por cerca de quatro quilômetros. Muller saiu de quadra com 95 winners de seus 191 pontos, uma estatística absolutamente incrível. Foi à rede 83 vezes, com 71% de sucesso, e precisou dar 212 primeiros saques e 79 de segundos. Tremendo esforço para seus 34 anos e um estilo que não tem muito de físico, dependendo muito mais da coragem e da boa mão.

Muller sabia o que fazer e seguiu a estratégia nos dois primeiros sets. Sacou muito, subiu sempre, deu mínimo ritmo ao espanhol. Rafa demorou para achar seu melhor tênis. Quando obteve enfim a primeira quebra do terceiro set, se soltou. Passou a sacar cada vez melhor, bateu seu recorde pessoal com 23 aces, acertou bolas incríveis da base. Lutou e vibrou.

Parecia impossível que Muller aguentasse a sufocante reação de Nadal no quinto set, público claramente ao lado do bicampeão. No entanto, foi Gilles quem esteve quase o tempo todo mais perto da vitória, mostrando notável tranquilidade e determinação tática. Não fosse a coragem de Nadal para sair do buraco – foram quatro match-points, cinco 0-15, outro 0-30 e um 15-30 – e o jogo teria acabado muito antes.

Curioso notar que Muller despontou para o circuito quase uma década atrás, quando atingiu as quartas do US Open de 2008 vindo do quali. Mas não embalou. Sofreu séria contusão no cotovelo em 2013 e hoje conta que aproveitou a longa parada para treinar a parte física. E, garante, isso teria feito a grande diferença. Sentindo-se mais preparado, iniciou a escalada. Entrou enfim para o top 50 em 2015, fez duas finais de ATP no ano passado e encontrou seu melhor tênis nesta temporada, com títulos em Sydney e Hertogenbosch e lugar no top 30.

Pai de dois filhos, ele agora enfrenta Marin Cilic, para quem perdeu dias atrás na semi de Queen’s em jogo duro. O croata está embalado, atropelou Roberto Bautista, segue sem perder sets e sonha com a primeira presença nas semis de Wimbledon.

Murray e Federer confirmam
Enquanto isso, lá na Central, Andy Murray e Roger Federer cumpriram a obrigação. Ambos perderam serviço e tiveram alguns altos e baixos, porém a diferença de consistência sobre Benoit Paire e Grigor Dimitrov é enorme.

Respirando ao ver Nadal cair mas ainda sob risco de perder o número 1 caso Novak Djokovic seja campeão, o escocês encara um sempre perigoso Sam Querrey, que venceu cinco duros sets sobre Kevin Anderson, enquanto Federer reencontra Milos Raonic, o homem que o tirou na semi do ano passado. Murray tem 7 a 1 sobre Querrey, o que garante certo conforto, e Federer lidera 9 a 3 sobre Raonic, tendo perdido as duas últimas.

Djokovic foi prejudicado pela demora da rodada e terá de jogar contra Adrian Mannarino na terça. Se cumprir o esperado e liquidar sem sustos, o adiamento não fará muita diferença, já que Tomas Berdych se esforçou por cinco sets diante de Dominic Thiem e é um dos maiores ‘fregueses’ de Nole, com 25 derrotas em 27 jogos.

Cai a número 1
Garbine Muguruza tirou Angelique Kerber da liderança do ranking. E que belíssimo jogo. A espanhola buscou a rede o tempo todo, a alemã fez verdadeiras mágicas. Muguruza encara nesta terça-feira Sveta Kuznetsova, outra que se defende muito bem.

Agora, Simona Halep só precisa derrotar Jo Konta para assumir a ponta. Bem, ‘só’ é força de expressão. A britânica se supera a cada rodada, apoiada no público. É mais um desafio para a romena, que só dominou Vika Azarenka depois de estar 2/4 atrás no primeiro set.

Outro duelo gigante envolverá Venus Williams e a estrela ascendente Jelena Ostapenko. Pancadaria à vista. Quem passar de Muguruza e Kuznetsova, faz semifinal diante das surpresas: Magdalena Rybarikova ou CoCo Vandeweghe. Não pensem que será tarefa fácil.

Big 4 é favorito. Com cautela.
Por José Nilton Dalcim
9 de julho de 2017 às 20:44

Após o tradicional descanso de domingo, Wimbledon realiza suas oitavas de final nesta segunda-feira – se a chuva deixar – com dois grandes favoritos entre os Big 4: Andy Murray e Novak Djokovic dificilmente perderão sets para Benoit Paire e Adrian Mannarino em condições normais. Nenhum dos franceses têm consistência suficiente para grande ameaça.

Os outros dois podem ter mais trabalho e com certeza, cuidado: Roger Federer pega o amigo e ‘freguês’ Grigor Dimitrov, um autêntico jogador de grama mas que não tem regularidade, e Rafa Nadal faz duelo de canhotos contra Gilles Muller, que já o venceu em Wimbledon, embora há mais de uma década. A chance do luxemburguês consiste num índice alto de primeiro saque.

Milos Raonic e Alexander Zverev promete ser o melhor duelo das oitavas, com expectativa de festival de winners. Marin Cilic tem favoritismo natural sobre Roberto Bautista e Tomas Berdych, mais experiência na grama que Dominiic Thiem, mas o austríaco possui chance real. Sam Querrey e Kevin Anderson é bem imprevisível, já que ambos fazem um pouco de tudo depois do saque.

As oitavas de final masculinas têm:
– Quatro campeões de Wimbledon (Federer, Djokovic, Murray e Nadal)
– Dois finalistas de Wimbledon (Raonic e Berdych)
– Um semifinalista de Wimbledon (Dimitrov)
– Um outro campeão de Grand Slam (Cilic)
– Um outro semifinalista de Slam (Thiem)
– Onze jogadores com título na grama (além do Big 4, Cilic, Thiem, Berdych, Dimitrov, Muller, Bautista e Querrey)
– Um tenista abaixo dos 21 anos (Zverev)
– Sete tenistas com 30 anos ou mais
– Três não cabeças de chave (Anderson, Paire e Mannarino)
– Sete dos oito principais cabeças (exceção é Wawrinka)
– Três canhotos (Nadal, Muller e Mannarino)

Três jogaços no feminino
A batalha direta entre as duas mais recentes finalistas de Wimbledon é um dos pontos altos das oitavas de final femininas: Angelique Kerber encara também o placar negativo de 4 derrotas em 7 duelos diante da espanhola Garbine Muguruza.

Outro duelo de primeira linha envolve a número 2 do ranking Simona Halep e Victoria Azarenka, dona de dois troféus de Grand Slam. Ambas já foram semifinalistas em Wimbledon, mas vivem momentos distintos. A romena sonha com primeiro Slam e o número 1, a bielorrussa retorna ao circuito após se tornar mãe.

Muito boa perspectiva também para a raçuda Johanna Konta e a versátil Caroline Garcia, com retrospecto de 2 a 2. A rodada tem ainda três duelos inéditos (Ostapenko-Svitolina, Venus-Konjuh e Rybarikova-Martic), Carol Wozniacki frente à sacadora CoCo Vandeweghe e o 18º encontro entre Aga Radwanska e Sveta Kuznetsova.

As oitavas de final femininas têm:
– Uma campeã de Wimbledon (Venus)
– Três finalistas de Wimbledon (Kerber, Muguruza e Radwanska)
– Cinco outras campeãs de Slam (Kerber, Muguruza, Azarenka, Ostapenko, Kuznetsova)
– Três outras finalistas de Slam (Halep, Radwanska e Wozniacki)
– Duas tenistas abaixo dos 21 anos (Ostapenko e Konjuh)
– Sete das atuais top 10
– Dez das 16 principais cabeças
– Duas jogadoras com ranking protegido (Azarenka e Martic)
– Uma qualificada (Martic)

Meus palpites
Quartas masculinas terão Murray-Querrey, Nadal-Cilic, Federer-Zverev e Djokovic-Thiem.
Quartas femininas terão Muguruza-Kuznetsova, Vandeweghe-Rybarikova, Venus-Ostapenko e Halep-Konta.

Casal 20
Por José Nilton Dalcim
3 de julho de 2017 às 17:51

Os namorados canhotos que representam a nova geração do tênis brasileiro tiveram um dia inesquecível na dificílima grama inglesa. Bia Haddad encurralou a dona da casa Laura Robson com um jogo vigoroso e vistoso, enquanto Thiago Monteiro foi mais agressivo e determinado que o australiano Andrew Whittington, alguém que naturalmente deveria estar mais afiado no piso do que o cearense.

Notável que a primeira vitória de Grand Slam de Bia tenha acontecido em Wimbledon, torneio de difícil sucesso para as meninas brasileiras depois de Maria Esther Bueno. Basta ver que a paulista de 21 anos e 1,84m quebrou tabu de quase três décadas, desde que a paranaense Gisele Miró, autêntica representante do saque-voleio, ganhou uma partida em 1989.

Embora seja uma tarefa muito difícil, Bia estará diante de um feito ainda mais expressivo na quarta-feira diante de Simona Halep, podendo obter a maior vitória brasileira em toda a Era Profissional. Desde 1968, nem mesmo Estherzinha derrotou uma cabeça 2 em evento de Grand Slam. Em termos de ranking, Dadá Vieira e Niege Dias venceram duas top 5 entre 1988 e 1989.

Monteiro curiosamente foi a Londres saindo diretamente o saibro e teve poucos dias de treino na grama. Mas se virou bem até mesmo nos voleios, que é um dos seus pontos frágeis. O russo Karen Khachanov, de 21 anos e já 34º do ranking, mostrou qualidades na grama em recente duelo contra nada menos que Roger Federer, perdendo por 6/4 e 7/6 com direito a muitos elogios do suíço.

Também vale menção honrosa ao esforço de Rogerinho Silva contra o habilidoso Benoit Paire, ainda que não tenhamos visto imagens da partida. Porém, num piso muito adverso, ele tirou set do francês e teve duas chances de levar ao quinto. Que temporada incrível ele vem fazendo.

Adeus, Stan
O sonho de conquistar Wimbledon acabou muito, muito cedo para Stan Wawrinka. Ele até contratou Paul Annacone para ajudá-lo na dura tarefa, mas não contava com um joelho esquerdo ruim nem com a estreia difícil diante do bom Daniil Medvedev. Foi a quinta vez que o suíço sequer passou da primeira rodada no Club.

Não foi a única novidade do dia. Nick Kyrgios também voltou a sentir o quadril e, assim como havia acontecido em Queen’s, nem completou o jogo, desta vez diante do ótimo sacador Pierre Herbert. Mais um cabeça caiu, Fernando Verdasco, mas desta vez não houve surpresa, já que encarou o competente Kevin Anderson, aquele que quase tirou Djokovic em 2015.

Isso tudo serve para animar Andy Murray. O número 1 fez bons lances na fácil partida inicial e terá um teste curioso diante do acrobático Dustin Brown, no que pode ser um belíssimo espetáculo. O maior candidato a cruzar com o escocês nas quartas agora é Jo-Wilfried Tsonga.

Rafa Nadal também teve jogo bem tranquilo e exibiu um belo tênis, seja com golpes pesados da base, seja com voleios espertos e toque sutis. Pelo jogo firme que continua mostrando, Marin Cilic mantém-se como maior obstáculo do espanhol antes da semi.

Ostapenko sua
Campeã juvenil de Wimbledon, Jelena Ostapenko encontrou alguma dificuldade para se adaptar do saibro para a grama. Cedeu um set e quatro serviços, cometeu 23 erros, mas não perdeu a determinação de bater na bola. Passou o primeiro teste de natural cobrança e isso ficou claro na sua estridente vibração no match-point.

A rodada só viu cair duas cabeças de menor expressão (Mirjana Lucic e Roberta Vinci), alguma oscilação de Petra Kvitova e Venus Williams e um belo jogo em que Dominika Cibulkova venceu Andrea Petkovic por 9/7 no terceiro set. Vika Azarenka voltou a vencer um jogo de Slam depois de 18 meses mas precisará de muito mais para entrar no rol das candidatas.

Números
6 – Se Roger Federer fizer seis aces na estreia contra Dolgopolov, atingirá os 10.000 aces na carreira. Será o terceiro a obter tal marca, desde que a ATP passou a contar, em 1991. Karlovic tem 12.108 e Goran Ivanisevic, 10.131.
96 – Venus Williams igualou a irmã Serena em número de partidas disputadas em Wimbledon. Esta é sua 20ª participação.
98 – Ivo Karlovic fez quase 100 winners, sendo 44 aces, mas ainda assim perdeu no quinto set para Aljas Bedene.
701 – Karlovic jogou quatro tiebreaks contra Bedene e soma agora 357 vencidos e 344 perdidos na carreira.
850 – Nadal se torna o sétimo em número de vitórias na Era Profissional, repetindo Connors, Federer, Lendl, Vilas, McEnroe e Agassi.
39.000 – O primeiro dia de Wimbledon teve lotação total no Club e assim nenhum ingressos avulso foi vendido até o meio da tarde.

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