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O clima esquentou
Por José Nilton Dalcim
11 de julho de 2017 às 20:04

Novak Djokovic não está satisfeito com Wimbledon. Ficou muito irritado com o adiamento da partida para a terça-feira, acha que o piso está imperfeito e diz ser favorável à extinção do quinto set longo.

Nole não deixa de ter razão. Ainda que seja razoável admitir um problema de segurança com o deslocamento do público para a mudança de seu jogo para a Quadra Central, havia tempo hábil para se organizar um esquema até mesmo depois da epopeia de Nadal e Muller. Afinal, ainda restavam 2h30 antes que o limite das 23 horas fosse atingido (acordo com a prefeitura exige que as partidas na Central terminem nesse horário).

Felizmente, o duelo contra Adrian Mannarino seguiu o roteiro imaginado, apesar de um segundo set apertado depois que o sérvio perdeu a vantagem de uma quebra. Na maior parte do tempo, Nole sacou bem e trabalhou os pontos para as mais diversas direções. Preocupou atendimentos para o ombro, mas ele garante que não assusta. Djoko terá de voltar à ação nesta quarta-feira e novamente foi escalado para a Quadra 1, sem teto. Felizmente, a previsão de chuva mudou.

Vamos a um resumo das quartas de final:

Murray x Querrey – Escocês tem larga vantagem de 7-1 e ganhou fácil em Melbourne deste ano. Americano no entanto requer cuidados porque gosta da grama e tem jogo bem adequado. Vitória garantirá número 1 de Murray, sua oitava semi em Wimbledon e 22º em Slam. Querrey tenta ser primeiro americano na semi desde Roddick, em 2009, e enfim disputar uma semi de Slam depois de 42 tentativas. Palpite: Murray em 4 sets.

Cilic x Muller – Duelo de estilos entre dois jogadores que podem jogar sem compromisso. Croata venceu os dois duelos já realizados – um deles dias atrás em Queen’s -, não perdeu sets e parece mais inteiro que Muller. Também tem experiência de um troféu de Slam a seu favor. Luxemburguês precisa optar pelo saque-voleio para economizar pernas e baixar a bola para dificultar o alto adversário. Palpite: Cilic em 4 sets.

Federer x Raonic – Promessa de melhor jogo do dia. Federer tem 9 a 3 nos duelos, mas perdeu os dois últimos, incluindo semi em Wimbledon do ano passado. São dois grandes sacadores. Raonic não tem ido tanto à rede como em 2016, melhor antídoto ao jogo de base muito superior do suíço. Federer disputa 100º jogo no torneio e busca 12ª semi em Wimbledo e 42ª de Slam. Canadense é o atual vice. Palpite: Federer em 4 sets.

Djokovic x Berdych – Uma das grandes ‘freguesias’ do tênis, Nole tem 25-2, com 12 vitórias seguidas, tudo porque as bolas retas não o incomodam e o deslocamento frágil e a falta de alternativas táticas do adversário são bens explorados. Um dos raros triunfos de Berdych foi na semi de Wimbledon de 2010. Nole tenta 8ª semi no torneio e 32ª de Slam, o que superará Connors. O tcheco tem seis semis de Slam e duas em Wimbledon. Palpite: Djokovic em 3 sets.

Sonhos em jogo
Quatro jogadoras de histórias, estilos e currículos muito distintos vão atrás de sonhos bem particulares na semifinal feminina de Wimbledon. Se a experiência falar mais alto, como é praxe na grama, é bem provável que teremos Venus Williams e Garbiñe Muguruza decidindo o título.

Aos 37 anos, Venus está em plena forma numa superfície em que usa seus melhores recursos. Dominou totalmente Jelena Ostapenko e já vislumbra a incrível façanha de voltar à final de Wimbledon depois de nove anos. Vai enfrentar Johanna Konta, que se supera a cada rodada. Ficou a dois pontos da derrota para Simona Halep, jogou praticamente com o segundo saque o terceiro set todo e nunca deixou de buscar os pontos. Uma tenista da casa não vence Wimbledon desde a centenária edição de 1977.

Muguruza bateu uma vez na trave em Wimbledon e hoje prova que consegue incrível adaptação à grama saindo completamente do seu estilo natural. Tem feito grandes exibições à base de um jogo agressivo e muita perna. Tem todo o favoritismo sobre Magdalena Rybarikova, a grande surpresa. Aos 28 anos e uma carreira cheia de percalços, leva para seus jogos o espírito lutador. Não faz tantos winners, bate por vezes de forma esquisita, mas tem deixado para trás as boas sacadoras, incluindo Karolina Pliskova.

Wimbledon permanece aberto
Por José Nilton Dalcim
8 de julho de 2017 às 18:44

Wimbledon encerra sua primeira semana e classifica nove dos top 12 do ranking masculino e 10 das 15 principais cabeças de chave para as oitavas de final, que serão disputadas todas na segunda-feira após o descanso tradicional de domingo. Ainda é bem difícil cravar campeões ou sequer finalistas. Isso é bom.

Não podemos dizer que as ausências de Stan Wawrinka e Kei Nishikori sejam uma real surpresa e talvez deveriam estar na segunda semana Jo-Wilfried Tsonga, John Isner ou Nick Kyrgios, porém um teve azar de pegar Sam Querrey, a outro faltou competência e o terceiro sucumbiu a seus problemas físicos.

O feminino tem buracos mais significativos. Não contou com Serena Williams e Maria Sharapova e ainda viu quedas de Karolina Pliskova e Petra Kvitova. A única campeã ainda de pé é a veteraníssima Venus Williams, que ganhou seu último de cinco troféus há nove anos, e apenas outras quatro já venceram um Grand Slam.

A rodada masculina deste sábado não teve novidades, mas bons jogos. Novak Djokovic precisou jogar sério diante da força bruta de Ernest Gulbis, Roger Federer titubeou com um jogo mais defensivo no primeiro set antes de dominar Mischa Zverev.

Milos Raonic confirmou em cima de Albert Ramos e o melhor jogo ficou para Dominic Thiem e seus dois ótimos e divertidos sets diante da boa revelação Jared Donaldson. Sem esforço, Alexander Zverev e Tomas Berdych cumpriram o prognóstico sem sustos, Grigor Dimitrov só precisou jogar 14 games. A única surpresa teria sido a vitória de Adrian Mannarino contra Gael Monfils, mas os joelhos de Gael explicam seu sofrimento e ódio pela grama

Feminino: emoções e lógica
Apesar de três jogos muito duros, todas as seis tenistas de maior ranking e prestígio avançaram neste sábado e deixam este lado superior da chave bastante interessante para a segunda semana.

Angelique Kerber jogou sob pressão o tempo todo e esteve nas cordas quando Shelby Rogers chegou a break-point para ir a 5/2 no segundo set. A alemã briga muito e esse empenho rendeu dividendos. E vem mais: Garbine Muguruza, para quem perdeu em Wimbledon dois anos atrás e perde por 4 a 3 nos duelos diretos.

Aga Radwanska e Carol Wozniacki sofreram. A polonesa reagiu bem já no começo do segundo set, Wozniacki viu Anett Kontaveit sacar duas vezes para o jogo. Agora, Aga pega Sveta Kuznetsova em duelo imprevisível e Carol pode ter outra vida dura diante da sacadora Coco Vandeweghe. O único jogo entre não cabeças terá Magdalena Rybarikova, aquela que tirou Karolina Pliskova, contra Petra Martic.

Duplas: sucesso
O tênis brasileiro coloca duas duplas nas oitavas de final masculinas: Marcelo Melo e Marcelo Demoliner, com seus parceiros estrangeiros. Caso vençam mais uma rodada, os dois farão duelo direto por vaga na semifinal. A chance é grande de isso acontecer, principalmente porque Demo e Marcus Daniell pegam dois pouco conhecidos britânicos.

A decepção é a ausência de Bruno Soares, que sofreu incrível derrota na sexta-feira no quinto set. Em termos de Grand Slam, a temporada está fraca para ele e Jamie Murray: perderam na estreia de Melbourne e ao menos foram às quartas de Paris.

Mas não são a única surpresa: os irmãos Bob e Mike Bryan sequer passaram da segunda partida e marcam sua pior campanha em Wimbledon em 17 anos. O jejum de conquistas em Slam permanece desde o US Open de 2014. E os atuais campeões Herbert/Mahut estão fora.

Ótima novidade é a parceria entre Bia Haddad e a também jovem croata Ana Konjuh. Duas vitórias apertadas e uma chave em que não há mais grandes favoritas, já que Mattek-Sands/Safarova tiveram de se retirar. Assim, semifinal passa a ser um sonho real. Bia está a uma vitória de grudar no top 100 também de duplas.

Para completar, Demoliner e Bruno Soares também ganharam duas rodadas de mistas.

Números
3 – Djokovic deve voltar ao terceiro lugar do ranking, a menos que Federer seja campeão do torneio.
5 – Stan Wawrinka só cai para quinto se Federer vencer Wimbledon.
51 – Ranking de Adrian Mannarino, o mais baixo entre os classificados para as oitavas masculinas
52 – Erros não forçados de Monfils neste sábado.
58 – Tentativas de Mischa Zverev ir à rede contra Federer, mas com sucesso em 32 vezes.
126 – Ranking de duplas de Bia Haddad, com subida de 76 postos, com a campanha até aqui.
317 – Federer retoma a liderança de profissional com mais vitórias em Slam, que dividia com Serena Williams.

Amanhã, vamos a uma previsão geral da segunda-feira nobre em Wimbledon com todos os 16 jogos de oitavas.

Dia australiano
Por José Nilton Dalcim
20 de junho de 2017 às 19:29

A Austrália já foi uma potência no tênis, ainda mais quando se fala em quadras de grama. Esse passado tão rico de troféus pôde ser relembrado nesta terça-feira com dois feitos da nova geração. Jordan Thompson, 23 anos, e Tanasi Kokkinakis, de 21, eliminaram justamente os dois finalistas do Queen’s Club do ano passado.

Thompson talvez seja até mais surpreendente, ainda que seja um jogador em evolução. Está longe de ser um gigante das quadras, com 1,83m, e apesar do saque afiado é um jogador que gosta mais de trabalhar no fundo de quadra. E foi justamente ali que ele derrotou o pentacampeão Andy Murray. Firme nas trocas, muito veloz para defender, inteligente para contraatacar.

Kokkinakis é 13 centímetros mais alto e sempre se mostrou um tremendo sacador, ainda que se mexa mal no fundo e seja inconsistente. Não obteve um único break-point, mas ganhou os dois tiebreaks disputados contra Milos Raonic, sua primeira vitória sobre um top 10. Todo mundo sabe que o garoto passou maus bocados depois da cirurgia no ombro no final de 2015 que o tirou do circuito praticamente por 19 meses, somando-se ainda a dois estiramentos musculares sérios, o mais recente no abdômen.

Se para Raonic a temporada é de altos e baixos, mas com algumas campanhas dignas, para Murray a derrota inesperada é uma ducha gelada, justamente quando ele vinha de um Roland Garros decente e animador. Esperava-se que a volta à grama lhe trouxesse de volta a confiança, porém o que vimos foi novamente um escocês cheio de dúvidas, preso no fundo de quadra vitimado por um forehand pouco produtivo.

Murray será o cabeça 1 em Wimbledon e terá de fazer uma campanha idêntica a Rafael Nadal para não perder a liderança, já que os dois começarão o Grand Slam separados por míseros 105 pontos, ao retirarmos os 2 mil que o escocês tem de defender. A perda da liderança parece cada vez mais uma questão de tempo. Até aqui, Murray somou menos da metade dos pontos de Roger Federer (1.930 a 4.090) e 29% do que Rafa acumulou desde janeiro (6.915).

E por falar em Federer, uma vitória rotineira na estreia de Halle. Sacou bem, se mostrou firme na base e dominou como quis o japonês Yuichi Sugita, que não tem cacoete para a grama. Agora, vem um teste dos bons: o canhoto e voleador Mischa Zverev, que acaba de entrar para o top 30. A vitória tem importância dobrada, já que poderá dar ao suíço a condição de cabeça 4 em Wimbledon, derrubando Stan Wawrinka, segundo projeções do ‘ranking da grama’.

Stan, aliás, teve a dificuldade imaginada contra Feliciano López. Não jogou de todo mal, mas ficou claro que depende demais do primeiro saque na grama. A devolução não funcionou jamais e foram poucas as tentativas de fazer voleios improvisados. Não sei se Paul Annacone conseguirá corrigir isso em duas semanas. Não entendi o motivo de ele usar tão pouco o slice, um golpe valioso nesse piso.

Nos torneios femininos, vimos a queda de Bia Haddad para uma esperta Shelby Rogers. A brasileira fez um bom primeiro set, muito firme no saque e bem agressiva, e deu um mínimo vacilo no tiebreak. A americana tem predicados na grama, com serviço e golpes com pouco efeito e muito bem colocados. Boa experiência para Wimbledon. E que o sorteio nos ajude.

Já o retorno de Vika Azarenka vinha bem no primeiro set, mas esbarrou em alguns erros e agora ela está à beira da derrota diante de Risa Osaki, que vai sacar para fechar o placar nesta quarta-feira. Claro que a grama nunca é o piso ideal para um retorno, ainda mais tão longo, pela dificuldade em se achar o ritmo ideal. Vika precisa de paciência.