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Um finalista para todos os gostos
Por José Nilton Dalcim
2 de setembro de 2017 às 00:46

Façam suas apostas. Vai dar a experiência ou a juventude no lado de baixo da chave masculina do US Open? Com a queda totalmente inesperada de Marin Cilic antes mesmo das oitavas, as possibilidades são as mais variadas. Basta ver que os oito vencedores desta sexta-feira têm apenas sete quartas e uma semi de Grand Slam em todas as carreiras.

Um grupo reúne o estilo mais americano de jogar de Sam Querrey, Mischa Zverev e Kevin Anderson, que se somam à zebraça Paolo Lorenzi, 35 anos nas costas e um currículo incrivelmente simples. De todos eles, gosto mais de Anderson porque sabe fazer um pouco de tudo. Atropelou o garotão Borna Coric como eu imaginava. Zverev por seu lado trás de volta a magia do saque-voleio e uma deliciosa história de superação.

O outro quadrante representa a juventude e tem um grande atacante, o novatíssimo Denis Shapovalov, e três jogadores de base sólida. O canadense deu um pouco de sorte com a contusão de Kyle Edmund já que não vinha jogando bem e terá um teste e tanto contra Pablo Carreño, que golpeia pesado dos dois lados.

Coube ao ‘baixinho’ mas aplicadíssimo Diego Schwartzman despachar Cilic, em dia irreconhecível: 80 erros e nove serviços quebrados em quatro sets. O argentino vai pegar agora Lucas Pouille, um francês que me agrada muito por curtir viver perigosamente e ter notável arsenal de golpes.

Apesar de serem nomes bem menos badalados do circuito, a vaga na final pode estar muito bem representada. Resta ao sobrevivente é claro torcer para que não dê nem Rafa Nadal, nem Roger Federer do outro lado.

Feminino
Quem está voando é Garbiñe Muguruza, que está nas oitavas com apenas nove games perdidos. O mais legal é que sua chave é dura: agora vem Petra Kvitova e depois Venus Williams ou Carla Suárez, todas jogadoras muito bem adaptadas à quadra dura.

Do outro lado, a expectativa é que Maria Sharapova e Sloane Stephens vençam mais uma e se cruzem nas quartas. A partida de Sharapova desta noite foi menos espetacular, especialmente o primeiro set, em que a russa se mostrou um tanto apressada e forçou mais do que precisava.

O sábado
Rafa Nadal e Roger Federer têm novamente uma rodada teoricamente tranquila. O espanhol pega Leo Mayer, outro de backhand de uma mão, e o suíço pega o ‘freguês’ Feliciano López, que perdeu 12 vezes desde 2003. Dentro de 19 dias, López completa os mesmos 36 anos de Federer.

O jogo que mais promete é o de Juan Martin del Potro contra Roberto Bautista, já que o espanhol melhorou muito na quadra dura. Boa chance para rever Andrey Rublev, agora contra o versátil Damir Dzumhur. Em outros tempos, David Goffin e Gael Monfils deveriam fazer um duelo apertado, mas os dois se arrastaram na última rodada.

O feminino tem três jogos que me parecem promissores: Jelena Ostapenko-Daria Kasatkina, Madison Keys-Elena Vesnina e Elina Svitolina-Shelby Rogers. Todas estão num mesmo quadrante e terão de lutar entre si por uma vaga na semi. Não tenho até aqui uma favorita.

Rankings
Com a classificação para as oitavas, Muguruza só tem agora duas concorrentes na luta pelo número 1: Elina Svitolina, que precisa no mínimo de semi, e Karolina Pliskova, a partir de final. Ou seja, há uma grande chance de a Espanha liderar os dois rankings ao mesmo tempo, algo que aconteceu pela última vez com os EUA de Agassi e Serena, entre junho e agosto de 2003.

Apenas três top 10 continuam de pé na chave masculina. Zverev tem grande chance de ficar no top 4, a menos que Thiem ou Goffin façam grandes campanhas. A queda mais acentuada até agora é de Monfils, que perderá 12 postos e sairá do top 30 em caso de derrota na terceira rodada.

Sharapova está virtualmente no top 100, mas obviamente isso é pouco para seu nível. O eventual título a levará ao 15º posto, bem mais adequado.

Qual o limite de Federer?
Por José Nilton Dalcim
16 de julho de 2017 às 19:50

Há cinco anos, quando conseguiu reconquistar Wimbledon num grande esforço, parecia que o 17º Grand Slam era um número definitivo para Roger Federer. Afinal, ele já se aproximava dos 31 anos e veria Rafael Nadal recuperar sua melhor forma na temporada seguinte e depois lutaria contra o auge do domínio de Novak Djokovic, sem falar no crescimento de Andy Murray e nas beliscadas de Stan Wawrinka e Juan Martin del Potro.

Ele entendeu então que teria de mudar. Começou pela raquete, que hoje se prova um fator essencial, e passou por treinadores improváveis, como Stefan Edberg e Ivan Ljubicic. Reinventou-se, fez grandes exibições, mas nem assim conseguiu um novo Slam. O destino no entanto não o esqueceu. Foi preciso um problema médico com seu joelho para que ele tivesse de se afastar seis meses do circuito, período em que cuidou do físico, se adaptou perfeitamente à raquete e recuperou a alegria e leveza de jogar.

O Federer versão 2017 é certamente o melhor de todos que já vimos. Além do repertório ainda mais vasto, virou um jogador aplicado na parte tática, estável no plano emocional. Junte-se a isso seu estilo agressivo e um físico privilegiado para se ter um tenista difícil de ser batido até mesmo nas condições mais lentas do circuito de hoje. Roger nunca devolveu tão bem, usou tantas paralelas dos dois lados, encheu a bola de tanto topspin ou foi tão pragmático para construir pontos e se defender.

A pergunta obrigatória é: qual o limite de Federer? Estilo econômico, tênis moderno, pernas ágeis, nada o impede de jogar mais uma ou duas temporadas. Arriscaria a dizer que 2020 está totalmente a seu alcance. E se o fizer, sempre será candidato a ganhar mais títulos, mais Slam, principalmente quando pisar na grama ou numa quadra veloz. Dono de recordes e marcas de difícil superação até a longo prazo, a história permanecerá a seu alcance quase toda semana.

A final deste domingo teve pouca emoção, que pena. Cilic desperdiçou um break point no começo do jogo e de repente sumiu de quadra. Chorou no intervalo para o segundo set, pediu atendimento antes do terceiro e só então voltou a apresentar um tênis decente, porém muito distante do que vinha fazendo no torneio. Afirmou que a bolha no pé gerava tanta dor que não conseguia se concentrar, daí ser estranho ele ter demorado dois sets para cuidar do problema. Assim, Federer não precisou fazer nada de espetacular, exceto jogar seu tênis eficiente e ofensivo.

Pela primeira vez desde 2009, Federer ganha dois Slam na mesma temporada e a expectativa agora é por uma luta direta entre ele e Nadal pela liderança do ranking, algo que não acontece desde 2010. O que deve esquentar o US Open e talvez transformá-lo em outro Grand Slam mágico desta notável temporada.

Que sortudos somos todos nós.

A façanha de Melo
Num país em que quadra de grama é algo tão raro como político honesto, Marcelo Melo tem de ser muito enaltecido pela espetacular campanha em Wimbledon ao lado do polonês Lukasz Kubot. Os dois conseguiram chegar ao ápice do entrosamento, dividindo responsabilidades, grandes lances, resistência física e emocional para superar tantos duelos longos e tensos na campanha.

Duas coisas me deixam especialmente satisfeito. Ouvi críticas e senti um certo menosprezo quando ele chegou pela primeira vez à liderança do ranking, 18 meses atrás, como se não merecesse tudo aquilo. Girafa agora cala de vez as vozes dissonantes. Nada mais incrível e indiscutível do que chegar ao topo com um troféu desse quilate.

É honroso termos dois duplistas de sucesso num circuito tão competitivo. Melo e Bruno Soares nos deram quatro diferentes conquistas de Grand Slam na dupla masculina e quebram séries que pareciam perdidas no tempo. Melo interrompeu 51 anos de jejum em Wimbledon, assim como Bruno havia sido o primeiro a faturar três Slam numa mesma temporada desde Maria Esther.

Segundo profissional brasileiro com maior faturamento na história, já acima dos US$ 5,2 milhões, Melo prova que jogar dupla é também um ótimo e respeitoso caminho a se seguir.

Muguruza confirma
Ninguém ganha um título do tamanho de Wimbledon por acaso, mas é necessário dizer que Garbiñe Muguruza mereceu muito esta conquista. Desde a primeira partida, mostrou um estilo agressivo, aprimorou os voleios, jogou com coragem. Quando derrotou a número 1 Angelique Kerber indo 52 vezes à rede, ficou claro que estava pronta.

Muguruza representou aquela antiga qualidade, hoje um tanto perdida, de modificar técnica e tática ao mudar do saibro para a grama. Lição certamente aprendida dois anos atrás, então uma surpreendente finalista diante de Serena Williams. Tomara que novo aprendizado surja agora e evite o deslumbramento que viveu ao conquistar Roland Garros e perder totalmente o foco.

A final contra Venus só teve emoção no primeiro set. Depois que salvou dois set-points, Muguruza cresceu na confiança e Venus baixou intensidade, cometendo muitos erros. Curioso ver que uma espanhola volta a ganhar na grama justamente ao superar adversária de 37 anos, repetindo Conchita Martinez frente a Martina Navratilova. Coisas do tênis. Venus, sempre simpática, garantiu que vai tentar de novo.

Federer ou Cilic? Dê seu palpite.
Por José Nilton Dalcim
15 de julho de 2017 às 10:48

spinFinal  de Wimbledon e mais um momento histórico no tênis nesta incrível temporada 2017. O ‘rei da grama’ Roger Federer tenta um incrível 8º troféu em Wimbledon e o único que pode impedir isso é Marin Cilic, que busca seu segundo Grand Slam.

Momento para o Desafio Wimbledon, valendo um tubo com três unidades da nova bola Spin.para os três mais que se aproximarem do resultado correto.

Indique vencedor, placar e duração da partida, conforme modelo abaixo.

Claro que vale primeiro o vencedor; entre os que acertarem, o placar que mais bem explicar o andamento do jogo; em caso de novo empate, a duração do jogo. Por fim, persistindo a igualdade, leva quem postou primeiro.

Caso queiram (e devam) fazer comentários sobre as semifinais ou a decisão, escrevam e opinem exclusivamente no post abaixo. Deixem aqui somente os palpites numéricos. Fica mais organizado.

A votação se encerra quando for dado o primeiro saque às 10 horas deste domingo. E, é claro, se ganhar alguém de fora do Brasil, terá de indicar um endereço no país para receber o prêmio.

Importante: são permitidos palpites na área pública do Facebook oficial do site TenisBrasil, mas não valem palpites por email. O divertido aqui é justamente todo mundo poder conferir a aposta dos demais.

Se possível, seguir o modelo abaixo, o que facilita muito na hora da apuração:

Federer vence Cilic, 3 sets a 1, parciais de 7/5, 6/4, 5/7 e 6/4, após 2h45

Boa sorte!