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Nadal com a mão no 16º Slam
Por José Nilton Dalcim
8 de setembro de 2017 às 18:23

A menos que aconteça uma das maiores surpresas deste milênio no tênis masculino, Rafael Nadal reacenderá no domingo a velha discussão sobre a possibilidade de igualar, e quem sabe ultrapassar, Roger Federer na quantidade de títulos de Grand Slam. O número 1 é amplo favorito diante do debutante de 31 anos Kevin Anderson, contra quem só perdeu um set em quatro partidas. A diferença de currículo é esmagadora.

Rafa marcou nesta sexta-feira sua terceira virada no torneio depois de perder o primeiro set, com um script muito parecido: a partir da primeira quebra obtida, ganhou confiança e deslanchou. A diferença é que desta vez o adversário era o experiente Juan Martin del Potro, dono de temidos saque e forehand. Talvez Roger Federer tenha cometido mais um erro neste US Open ao imaginar que o argentino teria mais chance diante de Nadal do que ele próprio.

Algumas estatísticas chamam a atenção. Dos pontos que o espanhol fez contra Delpo, praticamente 45% foram winners. Outros 40% foram de erros não forçados do argentino. Rafa terminou a partida com 19 falhas, das quais 10 foram no primeiro set perdido e o restante nos outros três sets. Ele explicou em quadra o que mudou tanto: deixou de martelar o backhand adversário, tática mais do que óbvia, e ousou com paralelas. Quem disse que não é possível ganhar de Delpo atacando seu forehand?

Anderson chega à final com predicados. Cedeu apenas cinco quebras em 109 games de serviço, um aproveitamento de 96%, tendo salvado 17 de 22 break-points. Já supera a casa dos 100 aces nesta edição do US Open, com 114. Evidentemente, portanto, o saque será sua maior chance de equilibrar a final.

Diante de Pablo Carreño nesta sexta, mostrou uma outra grande qualidade: a excelente movimentação para um jogador de 2,03m, o que aliás o torna o mais alto finalista de Grand Slam de todos os tempos. Número 32 do ranking, é também o tenista de mais baixo ranking a atingir a final de Nova York desde a criação do ranking, em 1973, e de um Grand Slam desde Jo-Wilfried Tsonga, na Austrália de 2008, quando era 38º.

Ex-top 10 do ranking, justamente depois de atingir as quartas do US Open de 2015, Anderson passou por maus bocados devido a seguidas e variadas contusões. A mais preocupante foi o quadril, que o tirou do Australian Open e derrubou seu ranking para o número 80. Agora, voltará ao 15º lugar e poderá ser novamente 10º se levar o título.

Representará dignamente o tênis norte-americano nesta final, mas é improvável que tenha a torcida. Ele vive no país desde que entrou para a Universidade de Illinois, aos 18 anos. Hoje, mora na Flórida com a esposa, amiga de universidade e golfista. Mas nunca cogitou trocar de cidadania.

Renovação garantida
Enquanto todo mundo espera ver a renovação florescer no circuito masculino, as meninas dão um salto espetacular. O US Open será decidido neste sábado por duas afro-americanas, uma de 22 e outra de 24 anos, muito amigas e que representam o modelo norte-americano de jogar.

É precoce dizer que Madison Keys ou Sloane Stephens serão sucessoras das irmãs Williams. Até porque Serena e Venus não deram qualquer sinal que pretendam parar, muito menos que deixaram de ser competitivas.

A preocupação maior é justamente a questão física, o grande fantasma do tênis profissional. Ambas já passaram por problemas graves, Sloane com o pé, Keys com o punho.

Com 1,78m e ex-7 do ranking, Keys tem o acompanhamento de Lindsay Davenport e um jogo mais ofensivo, ainda que não bata tão reto na bola como a treinadora fazia. É versátil nos pisos, tendo batido até mesmo Garbiñe Muguruza no saibro de Roma no ano passado.

Sloane mede 1,70m, é de uma inteligência tática assombrosa, ainda que treinada pelo quase desconhecido Kamau Murray. Possui grande qualidade na defesa, daí ter vitórias sobre Serena, Venus, Sharapova e Kerber. Era 957 do ranking seis semanas atrás. Se conquistar o título, voltará ao top 20.

Quem faz a final do US Open? Vote agora.
Por José Nilton Dalcim
7 de setembro de 2017 às 20:14

spinRafael Nadal ou Juan Martin del Potro? Kevin Anderson ou Pablo Carreño? Momento para o Desafio US Open, valendo um tubo com três unidades da nova bola Spin.para aquele que mais se aproximar do resultado correto.

Indique vencedor, placar e duração da partida, conforme modelo abaixo.

Claro que vale primeiro os vencedores; entre os que acertarem, o placar que mais bem explicar o andamento dos jogos; em caso de novo empate, a duração dos jogos. Por fim, persistindo a igualdade, leva quem postou primeiro.

Caso queiram (e devam) fazer comentários sobre as semifinais ou a decisão, escrevam e opinem exclusivamente no post abaixo. Deixem aqui somente os palpites numéricos. Fica mais organizado.

A votação se encerra quando for dado o primeiro saque às 17 horas desta sexta-feira. E, é claro, se ganhar alguém de fora do Brasil, terá de indicar um endereço no país para receber o prêmio.

Importante: são permitidos palpites na área pública do Facebook oficial do site TenisBrasil, mas não valem palpites por email. O divertido aqui é justamente todo mundo poder conferir a aposta dos demais.

Se possível, seguir o modelo abaixo, o que facilita muito na hora da apuração:

Nadal vence Del Potro, 3 sets a 1, parciais de 7/5, 6/4, 5/7 e 6/4, após 2h45
Carreño vence Anderson, 3 sets a 1, parciais de 7/6, 6/4, 6/7 e 6/4, após 2h55

Boa sorte!

Delpo impede Fedal outra vez
Por José Nilton Dalcim
7 de setembro de 2017 às 01:34

Assim como fez em 2009, Juan Martin del Potro impediu que o tão aguardado ‘Fedal’ enfim acontecesse em Nova York. Aliás, oito anos atrás, ele derrotou na sequência Rafael Nadal e Roger Federer para conquistar um troféu histórico. Do jeito que jogou nesta noite, a tarefa não parece impossível de ser repetida.

Havia dúvida sobre quanto físico havia restado ao argentino após a virada incrível em cima de Dominic Thiem. Que nada. Delpo estava inteiro e com muita vontade de ganhar. Sacou muito bem o tempo inteiro, bateu o backhand o máximo que pôde e se aplicou nos contra-ataques diante das tentativas do adversário de vir para cima.

Os dois primeiros sets foram decididos em detalhes, para um lado e para o outro. É bem verdade que Federer estranhamente insistia em acabar o ponto no forehand do argentino e por vezes foi à rede em bolas curtas demais. E aí o tiebreak do terceiro set decidiu o jogo. Federer teve quatro chances e Delpo se virou bem demais, ora com uma devolução bombástica no pé do suíço, ora com passadas firmes, uma delas depois que cometeu dupla falta. Mentalmente, estava firme demais.

Esse tiebreak se refletiu diretamente no quarto set. Delpo jogou de forma impecável, cometendo um único erro não forçado, e lá no último game, mesmo disparando alguns golpes extraordinários, enquanto Federer perdeu a confiança, ofereceu a quebra precoce e não conseguiu reagir, apesar de todo seu esforço. Resultado incontestável.

Nadal por sua vez teve as quartas de final dos sonhos de qualquer um. Pegou um adversário jovem e que parecia não saber muito bem o que fazer diante dos spins do canhoto espanhol. Rublev tentou até bater firme, mas cometeu um caminhão de erros. Rafa manteve a bola o mais funda possível e se deu ao luxo de atacar o serviço. Toda essa combinação fez com que o jogo fosse bem decepcionante. Menos é claro para Nadal, que ganhou ainda mais confiança e economizou o máximo de energia para sexta-feira.

É inegável que Nadal nunca teve uma campanha tão tranquila para chegar à semi de um Grand Slam, não tendo enfrentado um único top 50 nas cinco partidas de Nova York, embora não tenha culpa se Richard Gasquet, Tomas Berdych e Grigor Dimitrov não cumpriram seu papel. A campanha só se assemelha ao US Open de 2011, quando Nadal pegou quatro fora do top 60 mas precisou ganhar de Andy Roddick, então 21º, nas quartas.

Del Potro terá chances contra Nadal? Bom, é assunto para amanhã.

Título em casa
Para compensar o fracasso dos homens, o tênis norte-americano domina totalmente as semifinais femininas, algo que só havia acontecido outras quatro vezes em toda a Era Profissional: US Open de 1979 e 81, Austrália de 83 e Wimbledon de 85. E olha que Serena Williams nem jogou.

Depois de Venus e Sloane Stephens, Madison Keys cumpriu à risca seu favoritismo sobre a estoniana Kaia Kanepi e CoCo Vandeweghe foi menos ruim do que a tcheca Karolina Pliskova, num jogo nervoso e de nível ruim.

Keys (22 anos), Stephens (24) e Coco (25) já fizeram semi na Austrália, mas Vandeweghe tem de ser considerada a grande surpresa deste US Open por ter um currículo menos atrativo que as compatriotas. A boa notícia é que todas jogam um tênis agressivo e certamente devem isso ao padrão imposto pelas Williams duas décadas atrás.

A nova número 1
Com a queda de Pliskova, que defendia o vice, Garbiñe Muguruza será a 24ª tenista e a segunda espanhola a liderar o ranking feminino. Arantxa Sanchez teve breve reinado de 12 semanas entre fevereiro e junho de 1995, quando Muguruza nem tinha dois anos de idade.

Embora não tenha passado das oitavas neste US Open, não se pode desta vez dizer que seja pouco merecido. Muguruza já tem dois troféus de Grand Slam e acaba de ganhar Wimbledon, mostrando novas armas. A vantagem no entanto é pequena para Simona Halep, Elina Svitolina e a própria Pliskova, sem falar que Venus entrará na briga pela liderança na reta decisiva da temporada, principalmente se for à final do US Open.

O tênis espanhol estará na ponta dos rankings masculino e feminino na segunda-feira, algo que não acontecia desde 2003, com Serena e Andre Agassi.