Arquivo da tag: Dominic Thiem

Wimbledon permanece aberto
Por José Nilton Dalcim
8 de julho de 2017 às 18:44

Wimbledon encerra sua primeira semana e classifica nove dos top 12 do ranking masculino e 10 das 15 principais cabeças de chave para as oitavas de final, que serão disputadas todas na segunda-feira após o descanso tradicional de domingo. Ainda é bem difícil cravar campeões ou sequer finalistas. Isso é bom.

Não podemos dizer que as ausências de Stan Wawrinka e Kei Nishikori sejam uma real surpresa e talvez deveriam estar na segunda semana Jo-Wilfried Tsonga, John Isner ou Nick Kyrgios, porém um teve azar de pegar Sam Querrey, a outro faltou competência e o terceiro sucumbiu a seus problemas físicos.

O feminino tem buracos mais significativos. Não contou com Serena Williams e Maria Sharapova e ainda viu quedas de Karolina Pliskova e Petra Kvitova. A única campeã ainda de pé é a veteraníssima Venus Williams, que ganhou seu último de cinco troféus há nove anos, e apenas outras quatro já venceram um Grand Slam.

A rodada masculina deste sábado não teve novidades, mas bons jogos. Novak Djokovic precisou jogar sério diante da força bruta de Ernest Gulbis, Roger Federer titubeou com um jogo mais defensivo no primeiro set antes de dominar Mischa Zverev.

Milos Raonic confirmou em cima de Albert Ramos e o melhor jogo ficou para Dominic Thiem e seus dois ótimos e divertidos sets diante da boa revelação Jared Donaldson. Sem esforço, Alexander Zverev e Tomas Berdych cumpriram o prognóstico sem sustos, Grigor Dimitrov só precisou jogar 14 games. A única surpresa teria sido a vitória de Adrian Mannarino contra Gael Monfils, mas os joelhos de Gael explicam seu sofrimento e ódio pela grama

Feminino: emoções e lógica
Apesar de três jogos muito duros, todas as seis tenistas de maior ranking e prestígio avançaram neste sábado e deixam este lado superior da chave bastante interessante para a segunda semana.

Angelique Kerber jogou sob pressão o tempo todo e esteve nas cordas quando Shelby Rogers chegou a break-point para ir a 5/2 no segundo set. A alemã briga muito e esse empenho rendeu dividendos. E vem mais: Garbine Muguruza, para quem perdeu em Wimbledon dois anos atrás e perde por 4 a 3 nos duelos diretos.

Aga Radwanska e Carol Wozniacki sofreram. A polonesa reagiu bem já no começo do segundo set, Wozniacki viu Anett Kontaveit sacar duas vezes para o jogo. Agora, Aga pega Sveta Kuznetsova em duelo imprevisível e Carol pode ter outra vida dura diante da sacadora Coco Vandeweghe. O único jogo entre não cabeças terá Magdalena Rybarikova, aquela que tirou Karolina Pliskova, contra Petra Martic.

Duplas: sucesso
O tênis brasileiro coloca duas duplas nas oitavas de final masculinas: Marcelo Melo e Marcelo Demoliner, com seus parceiros estrangeiros. Caso vençam mais uma rodada, os dois farão duelo direto por vaga na semifinal. A chance é grande de isso acontecer, principalmente porque Demo e Marcus Daniell pegam dois pouco conhecidos britânicos.

A decepção é a ausência de Bruno Soares, que sofreu incrível derrota na sexta-feira no quinto set. Em termos de Grand Slam, a temporada está fraca para ele e Jamie Murray: perderam na estreia de Melbourne e ao menos foram às quartas de Paris.

Mas não são a única surpresa: os irmãos Bob e Mike Bryan sequer passaram da segunda partida e marcam sua pior campanha em Wimbledon em 17 anos. O jejum de conquistas em Slam permanece desde o US Open de 2014. E os atuais campeões Herbert/Mahut estão fora.

Ótima novidade é a parceria entre Bia Haddad e a também jovem croata Ana Konjuh. Duas vitórias apertadas e uma chave em que não há mais grandes favoritas, já que Mattek-Sands/Safarova tiveram de se retirar. Assim, semifinal passa a ser um sonho real. Bia está a uma vitória de grudar no top 100 também de duplas.

Para completar, Demoliner e Bruno Soares também ganharam duas rodadas de mistas.

Números
3 – Djokovic deve voltar ao terceiro lugar do ranking, a menos que Federer seja campeão do torneio.
5 – Stan Wawrinka só cai para quinto se Federer vencer Wimbledon.
51 – Ranking de Adrian Mannarino, o mais baixo entre os classificados para as oitavas masculinas
52 – Erros não forçados de Monfils neste sábado.
58 – Tentativas de Mischa Zverev ir à rede contra Federer, mas com sucesso em 32 vezes.
126 – Ranking de duplas de Bia Haddad, com subida de 76 postos, com a campanha até aqui.
317 – Federer retoma a liderança de profissional com mais vitórias em Slam, que dividia com Serena Williams.

Amanhã, vamos a uma previsão geral da segunda-feira nobre em Wimbledon com todos os 16 jogos de oitavas.

De olho em Wimbledon
Por José Nilton Dalcim
18 de junho de 2017 às 19:35

O tênis brasileiro vai com tudo para Wimbledon. Nas duplas, é claro. Marcelo Melo e Bruno Soares conquistaram títulos logo na abertura da temporada de grama e têm de estar na lista de favoritos. Vale lembrar que o Brasil não conquista um troféu em Wimbledon entre os adultos desde 1966.

Melo já esteve bem perto de realizar seu maior sonho, quando chegou à final em 2013. Agora, lidera o ranking da temporada ao lado de Lukasz Kubot com títulos em todos os pisos – este foi seu primeiro na grama – e os dois vão para mais um teste em Halle para chegarem prontinhos no All England Club.

Bruno, ao contrário, já tem quatro triunfos no piso natural do tênis e atingiu as quartas de Wimbledon nas três últimas temporadas. Jogar ao lado do canhoto Jamie Murray e automaticamente da torcida é um trunfo. O escocês foi vice de Wimbledon em 2015. A dupla se testa nesta semana em Queen’s.

Como terceiro do ranking individual, Melo tem grande chance de sair como cabeça 2 em Wimbledon e aí teremos de torcer para que Bruno vá para o outro lado da chave.

Em simples, os dois primeiros torneios na grama trouxeram uma boa surpresa: Lucas Pouille usou um poderoso misto de ótimo saque – fez 29 aces na final -, excelentos voleios e um sólido jogo de base para conquistar Stuttgart. Ainda não é um tenista totalmente confiável em função de baixas repentinas, porém tem se mantido no top 20 desde setembro.

ATP 500
Depois da decepção em Stuttgart, Roger Federer precisa mostrar serviço em Halle para demonstrar que a tática de saltar o saibro foi mesmo válida. A derrota contra Tommy Haas em Stuttgart não deveria ter acontecido, já que liderava a partida, mas a grama é traiçoeira e talvez seja o piso que menos permita deslizes.

Federer terá bons desafios em Halle. Começa com o experiente Yen-Hsun Lu, deve seguir com o perigoso Mischa Zverev até chegar em Pouille. A semi poderá ser diante de Kei Nishikori. O outro lado tem Dominic Thiem de cabeça 2, Alexander Zverev com boa chance e especialistas como Haas e Bernard Tomic. Pode acontecer qualquer coisa.

Muita expectativa também em cima de Andy Murray em Queen’s. Ele volta a seu melhor piso ligeiramente recuperado depois da campanha em Roland Garros. No entanto, há a eterna pressão de jogar em casa e ainda terá de se esforçar diante de Sam Querrey, Gilles Muller ou Jo-Wilfried Tsonga, sem falar numa semi contra Nick Kyrgios ou Marin Cilic. Aliás, o croata terá John Isner logo na primeira rodada!

Stan Wawrinka contratou Paul Annacone para ajudá-lo a se adaptar à grama e estreia logo contra Feliciano López. Mau negócio. Se embalar, pode ter Tomas Berdych nas quartas e uma semi diante de MilosRaonic ou Grigor Dimitrov. Sem dúvida, excelentes testes.

Futuro
O excepcional trabalho de base do tênis canadense mostra novamente resultados. Neste domingo, Denis Shapovalov, canhoto que bate backhand de uma mão, passou o quali de Queen’s com seus tenros 18 anos, enquanto o incrível Felix Auger-Aliassime foi campeão do challenger de Lyon aos 16 anos, saltando para perto do 230º posto do ranking. Garimpar talentos e oferecer oportunidades resulta nisso.

P.S.: Graças a um esforço notável de Bruna Dalcim, o Blog volta ao ar. Peço desculpas pelo inconveniente. Observem que foi necessária a troca de domínio e de servidor: o Blog agora está como ‘www.blogdotenisbrasil.com’. Vamos em frente!

La Decima a gente nunca esquece
Por José Nilton Dalcim
11 de junho de 2017 às 21:10

Claro que a comemoração tem de ser em cima de uma façanha das mais incríveis da história não do tênis, mas do esporte: 10 troféus num mesmo Grand Slam, 10 conquistas em 13 possíveis, e olha que dessas três houve uma delas em que nem foi realmente derrotado.

Mas o que me fez ficar pensando hoje, depois de vermos Rafael Nadal vencer todos os sets disputados com média de cinco games perdidos por partida em Roland Garros, é como o espanhol se reinventou e se reergueu pela terceira vez em sua carreira.

Não é uma coisa fácil de acontecer no esporte de alto rendimento, considerando-se ainda seu estilo que exige tanta doação em quadra. Nadal repete nesta temporada aquilo que vimos em 2010 e 2013, quando renasceu após passar momentos de descrédito e pressão.

A cada vez, achou um caminho. Ora o saque, ora o slice, ora o backhand, trabalhou nos elementos que poderiam agregar e raramente usou discurso negativo nas frustrações. Cansou de dizer que ainda acreditava que poderia reagir, agradeceu porque haveria uma próxima semana. Duvidaram uma vez, duvidaram duas e duvidaram de novo.

A resposta veio. Encerrou 2016 mais cedo para alongar a pré-temporada, contratou Carlos Moyá. Fez um Australian Open surpreendente, em que esteve a três games de um título improvável, engoliu mais dois vices na quadra sintética e aguardou o retorno ao saibro europeu, seu habitat natural e eterno ganha-pão, para enfim rever a glória. E o fez com superlativos crescentes.

Quando chegou ao 10º título em Monte Carlo e encerrou o jejum, se transformou no favorito natural a Roland Garros, ainda mais diante da crise de Novak Djokovic e da queda de Andy Murray. Mais um 10º em Barcelona, o penta em Madri… Não fosse a derrota nas quartas de Roma em que havia muito de esgotamento, ele teria faturado tudo sobre o saibro, e superado até mesmo a série inacreditável de 2010, quando ganhou Paris e os três Masters do saibro.

‘La Decima’ talvez criasse pressão sobre qualquer outro tenista. Para Rafa, pareceu o tempo todo ser acima de tudo motivação. Disputou cada partida com intensa aplicação tática, correu atrás de bolas difíceis mesmo quando o placar lhe dava folga. Na final deste domingo contra Stan Wawrinka, vibrou com punho cerrado no primeiro ponto do jogo! Não dá para imaginar um tenista mais determinado.

Rafa encerra a primeira metade da temporada com 6.915 pontos em 10 torneios jogados. Isso lhe dá não apenas o direito matemático de lutar pelo número 1 do mundo, quem sabe já ao término de Wimbledon, mas o torna o maior candidato à liderança ao final do calendário. Aproveitou o saibro para abrir quase 3 mil pontos sobre Roger Federer. Soma mais do que Wawrinka e Dominic Thiem juntos.

Guardo para amanhã uma lista dos maiores feitos de Nadal em sua fabulosa carreira. Afinal, é preciso de muito espaço para quantificar o tamanho de seu tênis.

P.S.: Não, não esqueci da extraordinária vitória de Jelena Ostapenko no sábado. Mas deixo aqui o direcionamento para o blog de Mário Sérgio Cruz, que fez um texto completíssimo dessa letã de 20 anos e tanto futuro.