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Números e reflexões
Por José Nilton Dalcim
12 de setembro de 2017 às 19:17

O título no US Open colocou Rafael Nadal à frente de Roger Federer e Novak Djokovic quando se trata de percentual de aproveitamento em Grand Slam. E isso tanto em vitórias como em troféus.

Rafa ganhou 226 jogos e perdeu 33 (87,2%), acima de Federer (325 e 52, com 86,2%) e bem à frente de Nole (237 e 39, com 85,8%). O recorde permanece com Bjorn Borg, com 141 e 16, portanto 89,8% de aproveitamento.

O canhoto tem 16 títulos em 50 Slam jogados (32% de sucesso) contra 19 em 71 do suíço (26,7%) e 12 em 51 do sérvio (23,5%).

* Nadal tem ainda o maior domínio num Slam (97,5% de vitórias em Paris). Borg lidera em Wimbledon (92,7%), Andre Agassi na Austrália (90,6%) e Pete Sampras no US Open (88,8%). Quanto aos pisos, Rafa é absoluto no saibro (79 vitórias no total), Federer no sintético (169) e Jimmy Connors na grama (107).

* A menos que ocorra uma enorme surpresa, Rafa Nadal e Roger Federer serão cabeças 1 e 2 do Australian Open. Wawrinka corre risco de não estar entre os oito principais cabeças, o que é líquido e certo que acontecerá com Novak Djokovic. Já Andy Murray pode nem estar entre os 16, assim como Kei Nishikori e talvez Milos Raonic.

* Alexander Zverev e Dominic Thiem estão praticamente garantidos no Finals de Londres junto a Nadal e Federer. As outras quatro vagas devem ser duramente disputadas entre Dimitrov, Cilic, Carreño, Querrey e Anderson. A distância entre Dimitrov e Anderson é menor que 800 pontos.

* Pablo Carreño se tornou nesta segunda-feira o 18º diferente espanhol a atingir o top 10 do ranking, juntando-se a nomes como Manuel Orantes, José Higueras, Sergi Bruguera, Carlos Moyá, Juan Carlos Ferrero e Rafa Nadal.

* Garbiñe Muguruza inicia seu reinado no circuito feminino com o menor número de pontos desde que o sistema atual foi adotado em 2008, ou seja, 6.030. E a briga nem de longe está encerrada. No ranking da temporada, Simona Halep está a menos de 300 pontos e Elina Svitolina, a quase 500.

* Com o sucesso alcançado no US Open, o tênis feminino americano tem agora quatro das top 17. E Serena nem está jogando. Ela aliás ocupa o 22º posto e não deve cair além disso até defender seu título da Austrália em janeiro.

* O canadense Felix Auger-Aliassime, 17 anos, conquistou seu segundo challenger neste sábado, no saibro de Sevilha, aproximando-se do top 150. O detalhe muito curioso: no match-point, a bola do tenista da casa Inigo Cervantes teria saído. Muita dúvida, o juiz checou a marca e ficou convencendo Cervantes de que havia saído. O espanhol chamou o árbitro geral, que conversou com o juiz. Felix no fundo da quadra aguardando. Numa atitude incrível, o juiz determina que o ponto seja disputado novamente. O canadense não deu um pio. Pediu as bolas, disparou um foguete e matou o ponto com forehand no contrapé, fechando de vez o jogo. Quando se olha uma promessa, muito mais importante que qualquer golpe é observar a atitude.

Desafio – Apenas dois internautas acertaram o Desafio US Open da partida em que Nadal venceu Del Potro. Ian de Deus e Iury Pinheiros Ximenes foram os únicos a cravar que o espanhol perderia o primeiro set e faria a virada. Por isso, resolvi premiar os dois com um tubo de bolas Spin. Eles devem enviar aqui nome e endereço completo para a remessa.

Mesmo esvaziado, US Open espera façanhas
Por José Nilton Dalcim
27 de agosto de 2017 às 21:44

Andy Murray mexeu com o US Open antes mesmo de ser dado o primeiro saque. Cerca de 24 horas depois de sorteada a chave, o campeão de 2012 anunciou que não se sentia em condições de lutar pelo título e, sem isso, não faria sentido competir. De um lado, ficou certa frustração porque vimos Rafael Nadal e Roger Federer serem colocados no mesmo lado superior da chave. Mas, lá no fundo, não faz grande diferença, já que ninguém realmente imaginou que o britânico pudesse ser candidato sequer às semifinais.

A última vez que o circuito masculino viu um Grand Slam sem Murray, Novak Djokovic e Stan Wawrinka foi no US Open de 2004, quando nenhum deles tinha ainda currículo expressivo, Federer iniciava seu domínio e Nadal não passava de uma promessa. Faz muito tempo. São cinco dos 11 mais bem colocados do ranking de fora. E dos seis restantes ainda há dúvidas sobre Federer e Marin Cilic, que não joga desde a final de Wimbledon.

Segundo mais antigo torneio do tênis, o US Open é o único Grand Slam que tem sido disputado sem interrupção desde seu início. Por isso, realizará a 137ª edição geral e a 50ª da Era Profissional. Vejamos alguns detalhes que apimentarão Big Apple:

– Com a saída de Murray, a liderança do ranking masculino estará entre Nadal e Federer, mas a briga só começará se o suíço atingir pelo menos as quartas de final.
– No feminino, oito lutam pelo número 1, mas quatro só têm chance se conquistarem o título. Halep e Muguruza possuem as melhores chances, já que Pliskova defende o vice e Svitolina precisa no mínimo de semi.
– Ao entrar em quadra nesta terça-feira, Federer se tornará o tenista com mais Slam disputados em todos os tempos, com 71. No feminino, Venus amplia seu recorde absoluto para 76.
– A derrota mesmo na primeira rodada renderá incríveis US$ 50 mil ao tenista. Os campeões faturarão o recorde de US$ 3,7 milhões.
– Último tenista a ganhar nos EUA sem perder sets foi Neale Frases, em 1960.
– O estádio Arthur Ashe completa 20 anos. Federer é o recordista de jogos (74), de vitórias (66) e de vitórias noturnas (31-1).
– Nadal não ganha um título na quadra dura desde Doha em 2014. Desde então, foram 34 torneios e oito finais disputadas.
– Feli López atingirá 63 Slam consecutivos e ficará a dois de igualar Federer.
– Se vencer na estreia, Federer igualará Agassi com 79 vitórias em Nova York e ficará atrás somente das 98 de Connors.
– Nadal tem 219 triunfos em Grand Slam e pode superar Lendl (222) e Agassi (224) ao longo do US Open para se isolar no quarto lugar.
– Patrick Kypson, aos 17, é o mais jovem participante. Ivo Karlovic, aos 38, o mais velho.

No topo do mundo outra vez
Por José Nilton Dalcim
14 de agosto de 2017 às 23:23

Não foi certamente da forma que ele gostaria, mas Rafael Nadal concretizou o retorno à liderança do ranking nesta segunda-feira ao ver Roger Federer confirmar a já esperada desistência de Cincinnati. Pena não haver a luta direta pela posição mais nobre do tênis, ainda mais entre dois ícones do esporte.

De qualquer forma, a quarta ascensão de Nadal ao número 1, três anos depois de passar o bastão, é uma resposta gigante àqueles que não acreditavam mais na sua capacidade de recuperação na carreira. Foi assim também em 2010 e 2013, mas desta vez parecia ainda mais difícil reagir depois de decepcionantes atuações, crueis abandonos, palavras duras consigo mesmo.

Muitos irão dizer que a volta à ponta é circunstancial. Não deixa de ser. Realmente, 4.680 de seus 7.555 foram obtidos no saibro, o que são quase 62%. Houve também a queda vertiginosa de Andy Murray, a longa fase instável de Novak Djokovic e o abandono de Federer ao saibro. No entanto, quase sempre foi assim. Murray foi muito beneficiado por algo semelhante no ano passado, Djoko só teve um real adversário entre 2015 e 2016, Federer contou com a baixa de Nadal e Nole em 2012 para ficarmos em alguns exemplos recentes.

Numa chave esvaziada, onde sete dos top 10 estão fora, Cincinnati pode ser ótima chance para Nadal ganhar terreno. A distância para Murray e Federer está apertada, com pouco mais de 300 pontos, nada difícil de se recuperar no US Open.

De maior candidato ao número 1, Federer se transforma em grande incógnita. Mesmo sem se conhecer a real gravidade da contusão nas costas, todos sabemos que o tratamento não é rápido e que o suíço depende demais do saque afiado para um bom desempenho. Para complicar, um Grand Slam exige no mínimo três sets toda rodada, um desgaste que só aumenta conforme se avança na chave. Sem falar que, caso Murray volte, ele será cabeça 3 no US Open, o que pode antecipar o duelo com Nadal para a semi.

O quadro todo portanto se mostra favorável ao canhoto espanhol, que agora poderá jogar com peso muito menor nos ombros. Nem tio Toni poderia imaginar algo tão bom assim ao se chegar a Cincinnati.